“(...) Escreve como se nunca tivesses falado a ti próprio
e sempre mantendo-te à distância
não menciones os teus cães, gatos, pássaros
as ninharias, os amigos, os sonhos

o preço sim, o valor não
o título, não o que significa
o tamanho do sapato, não para onde ele te leva
aquele a quem fazes passar por ti próprio
junta uma fotografia que mostre uma orelha
o que importa é a forma, não o que ouve
aliás o que há para ouvir?
O ruído da máquina a trilhar o papel


Wislawa Szymborska, Curriculum Vitae, 1986